O outro acha que nos conhece porque nos consome visualmente,esquecendo-se de que a tela não mostra o avesso da alma. Vivemos cercados por uma platéia que curte os nossos cenários mas que desaparece nos bastidores,onde o que a gente realmente precisa é de uma conversa de verdade. Sabem tudo sobre a minha rotina,mas há meses não perguntam:"E aí,como você está por dentro?".
E a dinâmica desse teatro digital ganha dois personagens clássicos. O primeiro é o especialista no"precisamos marcar aquele café." Uma frase que já nasce morta,uma promessa vazia que os dois lados sabem que nunca vai acontecer,mas que serve para aliviar a culpa do distanciamento. O segundo personagem é ainda mais curioso o espião silencioso. É aquela pessoa que nunca curte uma foto sua,não deixa um comentário e finge um desinteresse absoluto em público,mas cujo nome está lá,sem falta,na lista de quem assistiu aos seus Stories em menos de dez minutos. É a fofoca gourmetizada disfarçada de amizade.
Diante disso,a gente se pergunta quando foi que trocamos o calor de um abraço por um relatório de visualizações. Quem sabe,no meio de tanta tecnologia ,a gente não resolva subverter o sistema? Fica aqui o meu convite, ou melhor, o meu desafio: em vez de gastar o dedo arrastando a tela para cima para espiar a vida alheia, que tal gastar cinco minutos ligando para ouvir a voz de quem você diz que gosta?
Menos engajamento de vitrine e mais presença de bastidor. Afinal,um tudo bem com você? dito de verdade pelo telefone ainda vale mais do que mil visualizações silenciosas na tela do celular.
Maria Inêz Corrêa Lopes Zanardi
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Bela reflexão...o mundo digital a serviço de um voyerisno nunca visto antes, embora estimulado por quem é observado.
ResponderExcluirTexto maravilhoso e muito reflexivo! 👏🏻👏🏻👏🏻
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